terça-feira, 15 de abril de 2008

Eu era apenas metade - 1998

Tinha terminado o namoro há menos de um mês entre lágrimas, abraços e beijos. Teria sido mais fácil se eu e ele tivéssemos descoberto uma grande falta de sintonia, se tivesse ficado alguma mágoa. Mas não, terminamos sem ter a exata certeza de que era melhor assim.

Ainda me sentia faltando pedaços quando nos encontramos naquela viagem. Você deu um jeito de ir. Sabia que eu estava sem namorado mas não notou que eu ainda juntava meus cacos. Eu era apenas a minha metade.

Adorei o carinho na perna com você no casulo de lençol. Deu vontade de virar quando você se trocou no quarto com a gente dentro. Sua cabeça no meu colo, você ao alcance da boca, mas o máximo que consegui fazer foi um carinho tímido. À noite, enquanto você dormia no quarto eu jogava com a turma pensando que queria estar ao seu lado, mesmo que nem te tocasse.

Era muita tentação. Mas não era justo te entregar minha metade. Queria ser tua inteira e para isso precisava de tempo. Tempo que você não tinha, ou preferiu não me dar.

Me surpreendi quando na noite seguinte pessoas que eu mal conhecia vieram se solidarizar comigo porque você tinha ficado com outra garota. Rápido como uma guilhotina.
Parecia um sonho ruim. Ficou claro que eu era apenas mais uma para você. Dessa vez não teve choro nem vela. Em Ubatuba enterrei o meu amor por você. Eu que estava pela metade nem percebi que fiquei com um pedaço a menos. Continuei juntando os cacos, os velhos e os novos.

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