quinta-feira, 20 de março de 2008

Bomba atômica - 1997

“The day after” do nosso único dia foi tão caótico quanto o do filme. Começou com ressaca dupla. A cabeça latejava e comecei a racionalizar: será que foi o melhor momento? Será que ele se arrependeu de ter traído a namorada? Será que ele ao acordar vai se lembrar que ficou comigo? Será? Será? Não era assim que eu teria feito, se tivesse planejado.

Meus medos tomaram conta de mim. Você acordou e parecia estar numa ressaca de verdade. Mal abria os olhos e falava comigo coisas que eu inconscientemente não registrei, talvez de medo do que poderia ser. Tinha mesmo que ir então tratei de ir logo embora. Antes, te disse que seria discreta e não sairia espalhando sua escapada por aí.

À noite tinha um encontro da turma para ver fotos na sua casa, e então estaria frente a frente com você.

Cheguei em casa e fui recebida com insultos e acusações. Ouvi absurdos que infelizmente ainda guardo detalhes na memória. Roubando amigos, traindo amigas, sendo ingrata, se aproveitando. Daí para pior, bem pior. Além de tudo finalizou com a certeza de que você não queria nada comigo, e nesse ponto ela até poderia ter razão. Foi o pior dia da minha vida, depois de uma das melhores noites.

Nem sei como cheguei na sua casa à noite. Nem sei por que eu fui. Entrei muda, com uma cara péssima, e saí calada, com a mesma cara. Não faço a mínima idéia do que você pensou. Foto? Não levei nenhuma. Não tinha nada que quisesse partilhar naquele momento com os amigos. Na verdade eu nem sabia se estava mesmo entre amigos.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Último carinho - 2007

Na volta do almoço te dei carona e quando estávamos chegando perguntei se ia comentar com ela que esteve comigo. “Não”, sem olhar para mim. Eu também não pretendia contar, afinal era um papo reservado entre amigos, certo? “Acho melhor você me deixar na esquina, assim já continua reto”. Se era por isso ou não, concordei. Afinal não ia deixá-lo na porta de casa sabendo que ela estava lá.

Na hora da despedida um abraço forte que não queria acabar. Um sorriso e saiu do carro. Te segui com o olhar e ganhei um beijo de mão. Saí flutuando com vontade de te chamar de volta. Arranquei o carro e você dobrou a esquina. Deixamos ali o nosso último carinho.