Depois daquele telefonema desabafo fiquei muito encucada. Queria te pedir desculpas pela intromissão, pela sinceridade. Mas não sabia se ela melhor falar ou calar. Coincidência ou não, os gritos dela cessaram. Mas a minha angústia não. Queria te dizer que foi impulso, mas que era verdade. Te mandei um torpedo convidando para almoçar. Nenhuma resposta. Minha angústia continuava lá. Resolvi ligar: “você não vai aceitar meu convite para almoçar?”.
Conversamos sobre o emprego novo e amenidades. Você não parecia chateado. Depois de comer a sobremesa, pediu chopp. (Chopp???) Para mim foi um sinal claro de que você não tinha intenção de ir embora correndo. Apesar de quase sem voz de gripe, acompanhei. Também não tinha pressa.
Depois falou de ir ao cinema. Fiquei tentada a me oferecer para ir junto, mas sequer perguntei o filme. Era melhor não arriscar. Da única vez começou assim.
Fiquei feliz de ver você reagindo e domando a fera. Fiquei aliviada. Por um momento consegui ver de volta aquele cara que a gente admira.
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